Foi uma decisão difícil, eu sei, todo mundo sabe, todo mundo evita, mas não dá pra adiar.
Era uma tarde ensolarada, calor mesmo de verão, um horror, a roupa colando no corpo, aquele suor todo, o sol queimando. Eu disse que era preciso irmos lá e resolver de vez aquela situação. Minha mãe teria de entender, e se morresse por isso, deve saber que o mundo é diverso. Ele não quis. Eu disse que não adiantava fugir, que os rumores eram tantos. Tinha mais ou menos a minha idade, nada parecido comigo. Meu pai havia falecido havia quatro anos. Morto, que importa se a verdade fosse dita. Claro que não sou tão cruel, e fiquei preocupado com o que a minha mãe pensasse, ou o que acontecesse com ela. Fomos.
Ela nos olhou desconfiados. Havia o suspense no ar, a inevitabilidade de se dizer o que ela sabia que seria dito. Diante daquele olhar inquisitor, soltei:
- Mãe, este aqui é o Paulo, namorado do meu pai, do teu marido!
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