12 de janeiro de 2012

Eu preciso dizer!

Foi uma decisão difícil, eu sei, todo mundo sabe, todo mundo evita, mas não dá pra adiar.

Era uma tarde ensolarada, calor mesmo de verão, um horror, a roupa colando no corpo, aquele suor todo, o sol queimando. Eu disse que era preciso irmos lá e resolver de vez aquela situação. Minha mãe teria de entender, e se morresse por isso, deve saber que o mundo é diverso. Ele não quis. Eu disse que não adiantava fugir, que os rumores eram tantos. Tinha mais ou menos a minha idade, nada parecido comigo. Meu pai havia falecido havia quatro anos. Morto, que importa se a verdade fosse dita. Claro que não sou tão cruel, e fiquei preocupado com o que a minha mãe pensasse, ou o que acontecesse com ela. Fomos.

Ela nos olhou desconfiados. Havia o suspense no ar, a inevitabilidade de se dizer o que ela sabia que seria dito. Diante daquele olhar inquisitor, soltei:

- Mãe, este aqui é o Paulo, namorado do meu pai, do teu marido!

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