Tá pra ser aprovado um projeto que proíbe a palmada em crianças. Leis à parte, que são obrigações, quero que me provem que palmada educa. Palmada é violência, é raiva. É o que se vê. O filho "não obedece", sim, pois criança não pensa, não tem vontade própria, dá-lhe bater. Os pais ficam com raiva pela desobediência. Dizer que é para educar, é não ver, ou mesmo não querer ver. É ruim apanhar por ter feito algo de "errado". Apanhar para ser saco de pancada da raiva dos pais é bem pior.
Lembro duma vez, o pai fazendo algo, o filho, pequeno, querendo saber algo. O pai, impaciente, ralhou com o filho, brigou. Em seguida, a criança foi até o cachorro, ali próximo, e brigou com ele. É isso, é um mecanismo de transferência da violência. Todos perdemos.
Para quem acha que não dá pra educar sem bater, procure, há exemplos. Além disso, criança que apanha muito, desenvolve mecanismos de defesa, pra aliviar a sua dor, para dissimular. É um acúmulo de mágoas, de dor, algo que vai atrapalhar a vida da pessoa. E dizer que foi assim, sempre, que é assim que tem de ser, então vamos voltar para as cavernas, pois viver ali era a verdade, não é mesmo? Ou não somos capazes de melhorar? Vale lembrar aquele domador de cavalo, cujo pai domava cavalos, mas de modo violento. Quando o filho mostrou que poderia domar sem violência, apanhou e apanhou. Tem muitos ossos do corpo quebrado, pois seu pai só entendia a linguagem da violência. Morreu. O filho, hoje idoso, segue domando sem violência.
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