29 de novembro de 2011

Fim de tarde

Foi assim: eu olhei pela janela e notei que tava tudo um pouco alaranjado. Mais se via no que era branco. Fui logo para a rua, ver aquilo, só podia ser o sol, era, mas não diretamente. Havia nuvens, brancas, e acho que os raios do sol batiam por baixo delas e eram refletidos para baixo. Acho que nunca vi algo assim. Ou esqueci.

Olhando para o alto, vi as orquídeas floridas ali no tronco seco de uma jabuticabeira. Um monte delas, bonita composição. Pensei logo numa foto. Pensei logo: a foto ficaria guardada, e seria algo para se ver, talvez, outro dia, se tudo der certo, e achar lindo aquilo, e não é real aquilo, é imagem. Então, achei melhor deixar assim, aproveitar a vê-las enquanto ali, e depois esperar pela nova floração.

A vida é nascer e morrer, sempre. Fotografamos e depois ficamos num saudosismo desgraçado. Fazem isso em mim as fotos. Vou logo imaginando histórias, sentimentos. Pura imaginação, quando muito adivinhação de um detalhe ou outro. Acho que não deveria existir a foto.


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